
Ele compara o cancelamento a chegar à rodoviária com as malas prontas e o ônibus nunca aparecer.
Em março de 2020, o Pearl Jam tinha acabado de ensaiar a turnê do Gigaton. Metade da equipe já estava em Albany, Nova York, montando a luz, e a banda teria três ou quatro dias de folga antes de embarcar para a estreia, em Toronto.
Foi quando souberam que haveria gente de doze países naquele primeiro show. "A gente pensou: cara, isso é um pesadelo de superpropagação." A decisão saiu no dia seguinte. "A gente pensou: vamos adiar uns meses, vai ficar tudo bem."
Jeff voltou de carro para Montana e em uma semana não aguentava mais televisão. Sobrava energia, porque ele vinha se preparando havia meses, aprendendo as músicas e indo à academia todo dia. "De repente você está na rodoviária e o ônibus nunca chega. Você está com as malas, você ensaiou."
A saída foi uma disciplina: acordar cedo, fazer um chá, ir para o estúdio. "Eu decidi: vou escrever uma música por dia. Mesmo que seja uma coisa de um minuto, ou um negócio sinfônico esquisito. Eu vou terminar."
Nas primeiras semanas, os dias tinham de oito a doze horas. Depois ele baixou para cinco ou seis, e o músculo começou a responder. "Eu fiquei arriscando e sendo esquisito. Tipo: vou botar a bateria eletrônica a 180 batidas por minuto e ver o que acontece."
Foi assim por três ou quatro meses. Um amigo, John Wicks, começou a pegar as músicas e reinventá-las, e insistia nas partes que Jeff escondia, como o falsete. "Eu passei a ter uma confiança estranha em coisas em que nunca tive confiança. Porque eu tinha um parceiro que confiava em mim."
Daí saiu o disco solo I Should Be Outside, de 2021. "Se eu vivesse assim o resto da vida, seria fantástico. Acordar com uma tela em branco e ter uma música no fim do dia."
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