
Antes de aceitar, ele fez ao telefone uma pergunta que era um teste, e se a resposta fosse a errada ia dizer não.
A primeira providência de Dave foi descobrir quem eram aqueles caras. Ele tinha um programa numa rádio comunitária com um amigo, em que as pessoas ligavam pedindo música e os dois tocavam se gostassem, ou explicavam no ar por que não gostavam.
Levaram o material para o estúdio e começaram pelo disco do Mother Love Bone, que aguentaram por uns vinte segundos. Acharam produzido demais, engomado e jovem. Para explicar a régua, Dave lembra o que ele e o amigo ouviam na época: Zappa, Brian Eno, Robert Fripp, funk, Sly and the Family Stone, Parliament. "Aquilo era escorregadio e não tinha nada disso."
Depois vieram as fitas do Pearl Jam, dez segundos da primeira música e vinte da terceira. "E eu fiquei: ah, cara, sei não." Quem resolveu foi o amigo, perguntando se Dave já tinha ido a Seattle. Ele nunca tinha ido. "Então é uma viagem de graça." E ele reconhece: "Verdade."
No dia seguinte, ligou para o escritório em Seattle, onde estavam Eddie e Jeff, e perguntou se queriam que ele aprendesse tudo aquilo e tocasse exatamente como estava no disco. "Se eles dissessem que sim, eu ia dizer que não era o cara." Disseram para ele simplesmente subir e tocar junto. "E eu falei: tá bom, beleza."
O processo seletivo foi o menos formal possível. A cada dia ele passava o tempo com um integrante diferente da banda, e todo dia terminavam na sala de ensaio tocando, até que perguntaram quanto tempo ele levaria para buscar a bateria dele e voltar. Era a vaga.
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