
Quando marcas começaram a vender réplicas do jaquetão de veludo cotelê de Vedder por centenas de dólares, ele escreveu uma das músicas mais raivosas do Vitalogy.
A cena é quase comédia involuntária: um cantor compra uma jaqueta de veludo cotelê num brechó por doze dólares, aparece com ela no Unplugged da MTV, e na semana seguinte as lojas de shopping de todo os EUA vendem versões da mesma jaqueta por centenas de dólares.
Eddie Vedder viu isso acontecer em tempo real. E respondeu da única forma que sabia: escreveu "Corduroy".
A música faz parte do Vitalogy (1994), terceiro álbum do Pearl Jam, e condensa a frustração de Vedder com a cooptação da cultura jovem pelo mercado. O álbum inteiro carrega esse tema, mas "Corduroy" é onde o argumento fica mais pessoal.
"Não quero ouvir de quem sabe / Eles podem comprar, mas não podem vestir as minhas roupas / Não quero mancar pra que eles possam caminhar / Nunca teriam me conhecido antes"
O texto rejeita quem consegue copiar a aparência mas não o conteúdo, quem chega tarde e compra o uniforme sem ter vivido a história.
Vedder era, nos anos 90, o avatar da frustração incorporada. Enquanto bandas como Jane's Addiction e os Red Hot Chili Peppers pareciam se divertir com a fama, ele e os demais grupos de Seattle carregavam aquilo como um peso. "Corduroy" é esse peso passado pra fita.
Outra faixa do Vitalogy, "Not for You", também aborda a mesma tensão com a indústria e com as tentativas de capitalizar o grunge como produto. Mas "Corduroy" é onde a raiva fica mais concentrada e mais humana.
A canção segue sendo uma das favoritas dos fãs em show. E a jaqueta de veludo do Eddie continua valendo muito mais do que doze dólares, em qualquer brechó.
via American Songwriter
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