
Depois de anos defendendo um Ten mais seco, o baixista conversou com Tim Palmer e disse que gostou muito do que ouviu na mixagem de 1991.
Por muito tempo, Jeff Ament não escondeu que tinha ressalvas com o som de Ten. O baixista queria um disco mais direto, com menos reverb e uma produção que deixasse a energia da banda na frente. Agora, 35 anos depois do lançamento, uma conversa com Tim Palmer, o responsável pela mixagem original, parece ter mudado esse olhar.
O papo entre os dois foi ao ar em 27 de agosto de 2026 no canal do Pearl Jam na SiriusXM, como parte das comemorações dos 35 anos de Ten. O assunto acompanha o disco desde os primeiros anos: até que ponto aquele som cheio de reverb e atmosfera faz parte da identidade do álbum.
A vontade de mexer em Ten vem dos anos 90. Depois de Vs., em 1993, Jeff começou a pensar numa nova mixagem, impressionado com o som mais seco e pesado do segundo disco. Numa entrevista de 2009, ele contou que, perto da época de Vitalogy, em 1994, encontrou uma fita cassete com alguns rough mixes de Ten, as versões preliminares das faixas. A reação ao ouvir foi imediata: "Uau. Isso soa muito melhor que o disco".
Dali em diante, Jeff passou a insistir com Brendan O'Brien para fazer uma nova versão do álbum. Stone Gossard também tinha suas reservas com a produção original, e chegou a brincar que o reverb talvez escondesse uma banda ainda verde dentro do estúdio.
O projeto saiu em 24 de março de 2009, com a Legacy Edition de Ten. Além da mixagem original remasterizada, a edição trazia uma versão nova assinada por O'Brien, o produtor de Vs. e Vitalogy. O remix cortava o reverb, deixava as guitarras mais secas e dava mais presença à cozinha. O resultado foi um Ten mais agressivo e mais perto do som que o Pearl Jam desenvolveu nos anos seguintes.
Na época, Jeff se disse satisfeito, e gostou especialmente de como o remix destacava a bateria de Dave Krusen. Como a reedição manteve as duas versões, o fã pôde comparar as mixagens lado a lado sem perder a de 1991.
Mais de trinta anos depois, a conversa com Palmer levou Jeff a reavaliar justamente o que ele quis diminuir por tanto tempo: o reverb, a profundidade e a atmosfera da mixagem original. Ele contou que praticamente não ouviu Ten por uns 25 anos, a não ser quando a banda precisava reaprender músicas pouco tocadas ao vivo. Voltar ao trabalho de Palmer foi uma boa experiência. "Ouvi a mixagem original do Tim Palmer e gostei muito do que ele fez por aquele disco", disse.
via PJ Online IT
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