
Para trabalhar assim, diz ele, é preciso ter a pele bem dura.
Scared of Fear, a música que abre o Dark Matter, começa com um riff de Stone Gossard, que contou o que aconteceu com ela no primeiro dia de estúdio. "Aquela música foi escrita, literalmente, na primeira hora dentro do estúdio com o Andrew", disse, referindo-se ao produtor Andrew Watt.
Ele tinha levado basicamente três partes. A banda rearranjou tudo, mudou quantas vezes cada parte se repetia, e o que era um trecho secundário virou a ponte. Stone descreve assim o que fizeram com ela: "Ela foi rasgada aberta, o coração dela foi arrancado. E em uma hora."
"Agora eu escuto e penso: bom, era assim que tinha que ter sido", disse. "Não parece errado. Parece certo."
Esse método foi a diferença central entre o Dark Matter e o disco anterior. No Gigaton, segundo Stone, cada um escreveu um monte de músicas sozinho e levou aquilo em forma de demo, para ser construído por cima. A vantagem era que a essência do que empolgou o autor ficava preservada na faixa.
O custo era um jeito de tocar em camadas, meio fechado em si mesmo, porque cada pessoa ficava sentada com a própria música numa sala com um engenheiro, em vez de interagir com ela enquanto ela se formava.
No Dark Matter foi o contrário. Alguém chega com um riff e, na hora, a sala já está dizendo que falta uma ponte, que o segundo verso está longo demais, que aquele acorde está incomodando. Tudo era revisado muito rápido. "Você tinha que ter a pele bem dura", resumiu.
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