
Ele achava que ia virar advogado, ou qualquer outra coisa, quando um colega de escola apresentou a ele uma ideia que reorganizou tudo.
O colega era Steve Turner, que viria a fundar o Mudhoney. Naquela época ele ouvia hardcore, era straight edge e se empolgava com discos psicodélicos obscuros dos anos 60. Qualquer coisa que fosse subterrânea o animava.
Foi Steve quem disse a frase que reorganizou a cabeça de Stone. "Você não quer ser bom. Ser ruim faz parte da equação aqui." A ideia era que aquilo devia ser por diversão, e que a permissão para ser você mesmo valia mais do que técnica.
Stone leva o raciocínio adiante. Ter uma experiência musical extática, diz ele, não depende necessariamente de saber todos os acordes certos. "É mais sobre dividir uma sala com som alto, ritmo, propulsão, alegria e criatividade. Essas coisas geram uma energia que, se as pessoas testemunham, é contagiante."
"Aquilo foi uma revelação pra mim", resume. Para um adolescente, abria uma possibilidade que ele não enxergava. "Olhando pra trás, foi o momento em que eu pensei: nossa, dá pra fazer uma coisa na vida que não seja..." E enumera o que imaginava para si: vou ser advogado, ou sei lá. "Eu não fazia a menor ideia."
A escola também ajuda a explicar. Era nova, fundada por professores que tinham largado uma escola particular de sucesso para montar a própria, um grupo desorganizado e cheio de ideais. Foi a primeira escola em que Stone ouviu um professor dizer que parte do que se lê nos jornais é mentira, e onde já se falava de meio ambiente em 1980. "Ver aqueles administradores e alunos tentando fazer alguma coisa funcionar junto foi muito impactante."
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