SÓ MAIS UM FÃ DE PEARL JAM

A Epic queria Black como single, e o Pearl Jam se recusou a fazer clipe da música

· Fonte: Cápsula

A Epic queria Black como single, e o Pearl Jam se recusou a fazer clipe da música

A gravadora queria Black como single, com clipe e tudo. A banda disse não, depois de uma série de reuniões sobre onde traçar a linha.

Ten saiu em agosto de 1991 e, ao longo de 1992, virou um fenômeno com Alive, Even Flow e Jeremy. A Epic queria mais um hit e apontou para Black. A banda recusou por dois motivos: a natureza pessoal da música e o medo de exposição demais.

A letra tinha nascido no caminho para Seattle, quando Eddie subiu para a audição e escreveu por cima de uma faixa que os outros chamavam de E. Ballad. Ele passou quase duas décadas sem explicar do que se tratava, e só no documentário do PJ20 disse que a música é sobre deixar ir. "É muito raro uma relação resistir à gravidade da Terra, ao lugar para onde ela leva as pessoas e ao jeito como elas crescem", contou ali. "Já ouvi dizer que você não tem um amor de verdade a não ser que ele não seja correspondido. É duro, porque aí o mais verdadeiro é justamente o que você não pode ter para sempre."

A Rolling Stone acompanhou a queda de braço em 1993 e registrou reunião atrás de reunião com uma pergunta no meio da mesa: onde a gente traça a linha? A linha foi traçada em Black. Eddie se recusou a transformar a música em clipe e não deu ouvidos ao discurso corporativo de que a faixa era, nas palavras dele, maior que Jeremy, maior que você ou eu. A banda ficou do lado dele.

"Algumas músicas não foram feitas pra tocar entre o Hit número 2 e o Hit número 3", disse à revista. "Você começa a fazer essas coisas e esmaga a música. Não é por isso que a gente escreve. Essas músicas frágeis são esmagadas pelo negócio, e eu não quero fazer parte disso."

O medo era concreto. Ao autor Mark Yarm, no livro Everybody Loves Our Town, ele resumiu assim: com mais um tanto de popularidade, a gente ia ser esmagado, ou nossas cabeças iam estourar feito uva. O acordo com a gravadora foi lançar Oceans como último single do disco, com um clipe que quase não teve divulgação.

Mesmo assim Black chegou ao terceiro lugar nas paradas de rock dos Estados Unidos, sem clipe. A Rolling Stone contou ainda uma cena: numa noite, sentado sozinho num barranco à beira-mar pensando na morte de uma amiga, Eddie ouviu vozes vindo do morro atrás dele. Eram pessoas cantando Black. Ele saiu do meio do mato para pedir aos caminhantes que parassem de cantar aquela música, e meses depois ainda lembrava da cara de espanto deles.

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