
Stone Gossard lembra que estava apavorado, e diz que aquelas foram as maiores aulas de música da vida dele.
No fim de 2025, de férias no Havaí à espera da família para o Natal, Stone Gossard deu uma longa entrevista ao podcast de Jamie Hall, guitarrista do Tigercub, banda inglesa que hoje sai pelo selo dele, o Loose Groove.
O entrevistador confessou que só tinha descoberto tarde o Mirror Ball, disco de 1995 em que o Pearl Jam inteiro virou banda de apoio de Neil Young, e que uma das faixas parecia a primeira tentativa, no melhor sentido. Parecia porque era. "Ele literalmente escrevia músicas no hotel na noite anterior. A gente ficou uns três dias num estúdio em Seattle. Ele chegava e mostrava os acordes."
O método cabia numa frase. "Essa aqui vai dó, sol, ré, e o refrão é isso. Toca uma vez, toca como banda, e aquela era a tomada." As letras vinham em folhas enormes de papel, desenroladas. "Dava para ver que ele tinha ficado acordado até tarde, fumando maconha e criando essas histórias. Letras lindas, incríveis."
Stone não se sentia à altura. "Eu estava apavorado. Eu estava caçando os acordes. Não fazia ideia de como apoiar direito uma música do Neil Young." Neil não queria cuidado. "Ele só queria que a gente fosse a gente. Queria que a gente fizesse barulho." E ninguém ouviu falar em segunda tomada.
Stone resume o que viu. "Ele não é perfeccionista nisso. Ele é perfeccionista com o sentimento que está vivendo, e consegue fazer esse sentimento chegar a muita gente."
Ele ainda acha graça do gesto por trás do disco: Neil era fã de Eddie, mas escolheu apoiar a banda inteira. "Tipo: talvez esses caras também precisem de um empurrão."
"As maiores aulas de música que eu tive na vida foram com o Neil Young."
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