SÓ MAIS UM FÃ DE PEARL JAM

Para tocar numa loja de discos de Seattle, Eddie Vedder combinou com o dono que ele escrevesse ao empresário do Pearl Jam pedindo o show, e que a banda fingiria não saber de nada

· Fonte: Cápsula

Para tocar numa loja de discos de Seattle, Eddie Vedder combinou com o dono que ele escrevesse ao empresário do Pearl Jam pedindo o show, e que a banda fingiria não saber de nada

O plano quase morreu quando a produção vetou a loja, e Eddie salvou o show entrando de guitarra de ar.

No começo dos anos 2000, as lojas de disco estavam à beira do abismo, entre Napster, compartilhamento de arquivo e grandes redes. Matt Vaughan, dono da Easy Street Records, diz que só em Seattle poderia citar uma dúzia de lojas que sumiram.

Eddie Vedder era cliente da loja em West Seattle e a cada visita fazia a mesma pergunta: se eles iam conseguir sobreviver e para onde a música física estava indo, porque as coisas não pareciam boas. Mike McCready fazia a mesma pergunta na loja do bairro Queen Anne.

Um dia Matt contou a Eddie que ia sediar uma convenção com donos de lojas do país inteiro, para discutir exatamente isso: como enfrentar os poderosos e manter aquela cultura viva. Eddie teve uma ideia. Matt escreveria uma carta a Kelly Curtis, empresário do Pearl Jam, pedindo o show, e a banda inteira agiria como se não soubesse de nada. Segundo o relato de Matt, o raciocínio foi este: manda a carta, e nós, sendo uma banda democrática, vamos todos levantar a mão e dizer sim, vamos fazer.

A carta foi enviada no dia seguinte, e Kelly ligou para Matt dizendo que não o conhecia direito, mas que tinha entendido o pedido. Só que a produção foi ver a loja e vetou, por causa da visibilidade, da segurança e das saídas de emergência.

Kelly marcou de encontrar Matt no café da loja para dar a notícia de que não ia haver show nenhum. Matt ficou de cabeça baixa, se consolando com a ideia de que pelo menos os donos de loja iam conhecer o Pearl Jam e jantar bem. Nesse momento, a porta abriu.

Alguém tinha avisado Eddie de que Kelly estava ali. Ele entrou na loja tocando guitarra de ar, rebolando com um microfone imaginário no meio dos clientes, e gritou de longe para o próprio empresário: "Vai dar tudo certo."

Matt lembra que a cabeça de Kelly baixou e que ele disse que o chefe tinha decidido, que eles iam tocar naquela lojinha e que não fazia ideia de como aquilo seria feito. O show aconteceu em 29 de abril de 2005, com gente sentada até nas vigas do teto.

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