
Na tomada seguinte, Mike gravou de uma vez o solo que está no disco do Temple of the Dog, e os fones dele caíram.
Em novembro de 2024, antes dos shows do Pearl Jam em Auckland, o apresentador da rádio The Rock leu para Mike McCready uma frase antiga de Chris Cornell sobre ele: Mike parecia um garoto bonzinho, mas tinha alguma coisa lá dentro que um dia ia sair.
Mike ouviu comovido. "Eu amava muito o Chris. Foi ele que me trouxe para o Temple of the Dog, e aquela foi a minha primeira grande experiência no mundo do rock." O contexto da gravação era delicado: o disco era uma homenagem a Andrew Wood, vocalista do Mother Love Bone, morto meses antes, e Mike, de repente, estava numa banda por causa daquilo.
"Eu entrei querendo ser respeitoso com a situação. Tudo isso passava pela minha cabeça. Pensei: vou tocar, mas vou ser cauteloso." O primeiro solo de Reach Down saiu contido, e Chris percebeu na hora. "O Chris falou: acho que você consegue fazer melhor. Vou lá fora fumar um cigarro e já volto."
Mike tomou aquilo como permissão. "Me deu sinal verde. Aí eu fiz o solo que está em Reach Down, numa tomada só." Ele descreve o momento do jeito que descreve os melhores solos da carreira: olhando para o alto, sem pensar, deixando vir. "Meus fones caíram. E acabou. Foi aquilo que ficou no disco."
Os dois ainda voltaram a tocar juntos nos shows de reunião do Temple of the Dog, pouco antes da morte de Chris, em 2017. "Eu sempre vou amar e sentir falta dele. Obrigado por perguntar."
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