SÓ MAIS UM FÃ DE PEARL JAM

Eddie e Mike cobriram Dylan em 1992 e beberam com ele até o amanhecer

· Fonte: Louder (UK)

Eddie e Mike cobriram Dylan em 1992 e beberam com ele até o amanhecer

Em 1992, Eddie e Mike tocaram ao lado de Dylan no MSG e depois foram ao pub com ele até o amanhecer.

No dia 16 de outubro de 1992, o Madison Square Garden virou o mais improvável culto ao Bob Dylan: um cast absurdo de Stevie Wonder, George Harrison, Neil Young, Eric Clapton, Lou Reed, Tom Petty e Johnny Cash no mesmo palco pra celebrar os 30 anos de carreira do troubadour de Minnesota. Entre os jovens escalados pra contribuir, Eddie Vedder e Mike McCready, que naquele momento viviam a explosão de Vs. e carregavam o peso de ser a nova geração.

Os dois escolheram "Masters of War", do segundo álbum de Dylan, "The Freewheelin' Bob Dylan" (1963). Em entrevista à MTV nos ensaios, McCready foi direto: "É uma condenação implacável ao belicismo conservador, às pessoas que estão no poder, e agora que temos nosso adorável presidente George Bush é uma boa hora pra tocar isso." Eddie complementou com o que importava pra ele: levar os fãs mais novos a descobrirem Dylan. "Certas obras de arte são atemporais. Se alguém ouvir que tocamos essa música e for procurar quem é Bob Dylan, for fuçar na discoteca dos pais, isso já vale."

A performance acústica dos dois impressionou. Nas notas do álbum duplo que registrou a noite, "The 30th Anniversary Concert Celebration" (lançado em agosto de 1993), a execução foi descrita como "arrebatadora" e "indiscutivelmente a surpresa mais agradável da noite". O texto foi além: "Esses dois jovens fãs de Dylan não precisaram do som alto de Seattle pra transmitir a intensidade do protesto. Vedder, que havia assistido aos ensaios da plateia num Madison Square Garden quase vazio, provou que, quando se trata de uma grande canção, não existe geração gap."

Mas a história mais interessante aconteceu depois que as câmeras foram embora. Num papo com o jornalista Matt Snow para a Q Magazine em 1993, Vedder contou que ele e McCready passaram a noite com Dylan até as 7h da manhã num pub irlandês de Nova York, o Tommy Maken's. Sem entrar em detalhes do que foi conversado ("seria uma profanação", disse), Vedder revelou os pontos principais: Dylan gosta do Pearl Jam, eventualmente sinalizou interesse em compor algo junto, embora Eddie não tenha levado a sério na hora: "tínhamos tomado uns pints, eram umas sete da manhã e a gente estava acordado a noite toda."

"Ele me chama de Eddie e eu chamo ele de Bob", contou Vedder. A frase resume bem o que foi aquela madrugada: dois artistas de gerações distintas, no mesmo plano, sem protocolo. Dylan ainda deu um conselho de carreira em forma de destino: "Vá pra Dublin." E ressaltou que "Masters of War" continua tão relevante quanto sempre foi.

Nas décadas seguintes, Vedder continuou voltando a Dylan. "Forever Young" e "Girl From The North Country" entraram em sets do Eddie solo e com o Pearl Jam, como se aquela noite no Tommy Maken's tivesse deixado algo permanente.

via Louder (UK)

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