
Da estreia avassaladora de 'Ten' ao experimento espiritual de 'No Code', o RS alemão percorre álbum por álbum com olhar crítico e histórico.
O Rolling Stone alemão fez um mergulho fundo na discografia do Pearl Jam, álbum a álbum. Uma das análises mais completas de uma publicação europeia sobre a banda. Vale o passeio.
"Ten" (1991) abre com a brutalidade óbvia: "Alive", "Jeremy", "Why Go", Vedder com 27 anos e todos os temas de adolescente na manga. A publicação destaca que Ten saiu um mês antes de "Nevermind" e definiu um rock que se dirigia, pela primeira vez, aos perdedores em vez dos vencedores. Pode chamar de hard rock, dizem, mas de um tipo novo.
"Vs." (1993) veio com força total: sem vídeos pro MTV, canções mais curtas e mais agressivas como "Animal" e "Go", e o hino anti-armas "Glorified G". Recorde de vendas, 350 mil cópias em 24 horas, sem concessão alguma ao mainstream.
"Vitalogy" (1994) é descrito como o álbum branco do PJ: o disco dos experimentos, com "Bugs" no acordeão, "Aye Davanita" como mantra processado e "Stupid Mop" como colagem sônica. E ainda espaço para clássicos como "Corduroy", "Spin the Black Circle" e "Better Man", escrita antes mesmo do PJ existir.
"No Code" (1996) leva o título de melhor álbum deles na análise do RS. Jack Irons na bateria desacelerou a banda e a tornou ao mesmo tempo mais dura e mais etérea. "Who You Are" mergulha no místico e espiritual, numa direção que contrastava com o universo do grunge de sofrimento cotidiano.
"Binaural" (2000) trouxe Matt Cameron e encerrou a era superstar do PJ, o que o RS alemão considera injusto. As temáticas continuavam sólidas: "Insignificance" como canção antibelicista e "Grievance" antecipando a dependência humana da internet, em 2000. "Soon Forget" estreou a ukulele que virou marca registrada de Vedder.
"Yield" (1998) é tratado como reconciliação: "Given To Fly" contando de Jesus e de Vedder ao mesmo tempo, "Do the Evolution" como último grande soco cínico do grupo.
"Riot Act" (2002) foi a resposta ao trauma de Roskilde, seis anos antes. A dupla de abertura "Go" e "Animal" como terapia de confronto num festival, a memória da tragédia ainda viva.
"Lightning Bolt" (2013) leva nota mais reservada: muito lume de fogueira e nostalgia, o som comprimido demais. E a "Lost Dogs", coletânea de b-sides, é citada como o lar definitivo de "Yellow Ledbetter", música que ninguém pede mas que encerra quase todo show.
via Rolling Stone (DE)
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