
Mike McCready homenageou Ace Frehley no riff de Alive sem saber que Frehley mesmo havia replicado uma ideia de Robby Krieger dos Doors anos antes.
Tem um fio musical que conecta Los Angeles nos anos 60, Nova York nos 70 e Seattle nos 90, passando por três bandas que, na superfície, parecem não ter muito em comum.
Tudo começa em "Five to One", última faixa do álbum Waiting for the Sun dos Doors (1968). Por volta de 1 minuto e 12 segundos da música, Robby Krieger introduz uma melodia descendente que ficaria na cabeça de muita gente.
Anos depois, Ace Frehley do KISS usaria praticamente a mesma ideia de guitarra na faixa "She", do álbum Dressed to Kill (1975). Mas foi Gene Simmons quem revelou a origem ao próprio McCready, numa conversa sobre o solo de "Alive", single de estreia do Pearl Jam em 1991. McCready havia atribuído a ideia a Frehley como influência direta. A conexão então ficou completa: Krieger influenciou Frehley, que influenciou McCready, que levou o riff de Seattle pra toda uma geração.
A história veio à tona num episódio do podcast de Billy Corgan. Simmons contou que disse a McCready: "Não sei como te contar isso, mas isso é nota por nota um solo de guitarra dos Doors." McCready ficou incrédulo. "Ele disse: 'Não.'"
Mas o fato está lá, na faixa de "Alive", por volta de 3 minutos e 30 segundos: a mesma célula melódica passando de geração em geração, de Krieger pra Frehley pra McCready.
Simmons brincou que, se os Doors tivessem aparecido nos anos 90, provavelmente teriam sido chamados de grunge também. A afirmação tem fundamento: o som de "Five to One" é pesado, proto-metálico, com a mesma inclinação pro blues que McCready carregaria em "Alive".
via American Songwriter
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