
No programa de Adam Clayton na rádio U2 X-Radio, Jeff lembrou que pegou o baixo na faculdade e subiu ao palco umas seis semanas depois.
Jeff Ament foi o convidado de Adam Clayton numa edição especial de Don't Ask Me, I'm the Bass Player, o programa que o baixista do U2 apresenta na SiriusXM U2 X-Radio. O episódio foi ao ar em 30 de outubro e juntou dois baixistas de gerações e caminhos diferentes, mas com a mesma raiz: o punk rock, e principalmente os Ramones.
Jeff contou que a história dele com a música começou pela guitarra, não pelo baixo. No colégio, fez umas aulas junto com o amigo Reggie, mas o método não combinava com ele: "A gente tocava um pouco de guitarra no colégio. O professor fazia a gente estudar escalas, meio como um professor de piano faria. Depois de uns seis meses, eu me perguntei: por que ainda estamos tocando Twinkle, Twinkle, Little Star? Eram exercícios horríveis, então a gente largou."
O baixo só apareceu na faculdade, por causa de um colega de dormitório que era fã de punk rock. O amigo tinha um baixo, Jeff tinha uma guitarra, e a escola dos dois foi It's Alive, o disco ao vivo dos Ramones: "A gente botava o It's Alive dos Ramones e tocava do começo ao fim. Tomava umas duas tequilas e essa era a nossa diversão. Em mais ou menos um mês chamaram a gente pra abrir um show, mas a gente ainda nem tinha banda. Aí fomos atrás de um baterista e, provavelmente seis semanas depois de pegar no baixo pela primeira vez, eu estava tocando ao vivo."
Jeff brincou que essa estreia deve ter sido um desastre. Clayton, por outro lado, destacou o valor de aprender tocando no estilo seco e direto de Dee Dee Ramone, que sabia criar groove com o baixo.
O baixista do U2 lembrou que os Ramones também pesaram no nascimento da banda dele: "Foi o punk rock que serviu de catalisador pra você, e foi exatamente igual pra mim e pros outros caras do U2. Os Ramones têm muita culpa nisso tudo: eles ensinaram que dava pra escrever uma música de três minutos, com uma melodia forte e um baixo em quatro por quatro, e simplesmente tocar com toda a sua energia. Foi isso que deu a confiança pra gente montar a nossa banda."
Jeff ainda falou do efeito que aquela música teve nele na adolescência, quando a energia, a raiva e a frustração do punk pareciam falar direto com quem estava crescendo naqueles anos: "Quando essa energia te pega nessa idade, é quase como se você virasse a pessoa que estava destinado a ser no momento em que ouve aquela música. Era principalmente entusiasmo puro, energia, raiva e frustração: tudo coisa que, quando você tem dezoito anos, fala fundo com você."
Como é tradição no programa, o episódio também trouxe uma seleção de músicas escolhidas por Jeff, um retrato de algumas das influências e paixões dele. Pra quem acompanha a trajetória do baixista, de Montana ao Green River e ao Mother Love Bone antes do Pearl Jam, a origem punk não surpreende, mas é bom ouvir ele contar com essa franqueza.
via PJ Online IT
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